O que faz uma empresa virar fonte recorrente da imprensa
Transformar uma empresa em uma fonte recorrente e confiável para a imprensa é um dos grandes desafios do trabalho de relações públicas.
ASSESSORIA DE IMPRENSA
Rebeca Dias
7/16/20263 min ler


Nos veículos de comunicação, há um fenômeno facilmente observável: enquanto algumas empresas aparecem de forma constante em reportagens, análises de mercado e grandes portais, outras raramente conseguem conquistar espaço editorial.
Pode parecer que essa disparidade se deve exclusivamente ao tamanho do orçamento e ao volume de fatos novos que a marca gera. No entanto, a realidade do jornalismo profissional aponta para outra direção. A presença contínua na mídia não é uma questão de vaidade ou investimento publicitário, mas sim o resultado de um ativo estratégico muito mais valioso: a credibilidade.
Para entender como algumas marcas se tornam referências obrigatórias nas redações, é preciso compreender que o papel da assessoria de imprensa mudou drasticamente. Ela deixou de ser um mero serviço de "envio de releases" para se transformar em uma engrenagem de construção de confiança a longo prazo.
Existem alguns fatores essenciais que diferenciam as marcas que não costumam aparecer na mídia daquelas que se tornaram fontes indispensáveis para os jornalistas:
1. Entendimento do "Valor-Notícia"
O erro mais comum das organizações é presumir que aquilo que é extremamente relevante internamente, como a mudança de um software de gestão ou uma meta interna batida, possui relevância pública.
Empresas que dominam o espaço midiático sabem decodificar seus bastidores através do filtro do jornalismo. Elas entendem o chamado valor-notícia: o fato precisa carregar novidade, utilidade pública, impacto socioeconômico ou ajudar a contextualizar um movimento macro do mercado. Maiores conexões com a realidade social são a chave para despertar o interesse.
2. Agilidade e precisão nas respostas
O tempo de resposta da empresa define o sucesso da pauta. Marcas que respondem de imediato ganham preferência, enquanto demorar horas (ou dias) para aprovar uma nota por meio de infindáveis níveis burocráticos internos não apenas mata a pauta do dia, mas também queima a ponte para oportunidades futuras.
3. Produção de dados relevantes e inéditos
Nem toda empresa tem fatos novos e estrondosos para anunciar todos os meses. Contudo, qualquer organização possui um ativo valioso: o conhecimento setorial.
Transformar-se em fonte significa também produzir dados de mercado, pesquisas internas consolidadas de forma anônima, ou análises de tendências baseadas no comportamento do consumidor. Ao fornecer dados sólidos, gráficos claros e estatísticas confiáveis, a marca deixa de "pedir" para sair no jornal e passa a "oferecer" a matéria.
4. Posicionamento claro e transparência
A imprensa busca fontes que tenham coragem de se posicionar de forma nítida e transparente. Empresas que se omitem em momentos de debate setorial ou que adotam um tom excessivamente corporativo e robótico, perdem relevância. Ter um posicionamento claro sobre os rumos do mercado e manter a verdade mesmo em cenários de gerenciamento de crise solidifica o respeito mútuo entre a corporação e as redações.
5. Relacionamento consistente e humanizado
O erro fatal de muitas estratégias de comunicação é tratar assessorias de imprensa de forma puramente transacional, acionando-os apenas quando há um interesse comercial ou promocional em jogo.
A verdadeira reputação é gerada de maneira constante. Isso envolve criar uma parceria sólida entre a empresa e o assessor de imprensa, permitindo que o profissional de comunicação mergulhe no dia a dia da operação para pescar as melhores histórias. Significa também cultivar conexões genuínas com repórteres, oferecendo dicas de bastidores, mapeando suas áreas de cobertura e respeitando seu tempo e rotina corrida.
A presença orgânica na imprensa é uma das formas mais poderosas de validar a autoridade da mesma. Enquanto um anúncio pago compra a atenção por alguns segundos, uma matéria editorial fundamentada em uma fonte confiável transfere a credibilidade do veículo para a marca.
As empresas que entenderam que a assessoria de imprensa serve para construir pontes e não para empilhar panfletos digitais na caixa de entrada dos jornalistas, são as mesmas que permanecem no topo da mente do público e na agenda das redações. Menos disparos em massa, mais relevância, constância e confiança.
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